Dizem que, quando chegamos em uma certa idade, começamos a agir de uma forma estranha, começamos a rever a vida e a querer fazer tudo o que não fizemos antes. Foi algo assim o que aconteceu com o Leão naquela primavera. Estava cansado de ser o Rei das Selvas. A Coroa não era mais tão divertida, e o glamour estava mais nos filmes do que na vida real.
Após muito refletir, decidiu-se enfim: criou o ano eleitoral na floresta. A idéia de eleição provavelmente foi fruto da leitura de livros franceses que existiam na Biblioteca Central da selva. Bom, fato é que, em princípio, a notícia caiu como napalm na selva. Houve uma confusão inicial - certamente, causada pelos boatos espalhados pelas Caturritas, que diziam que era tudo um teste de fidelidade para a Corte.
Mas não tardou muito, e os partidos começaram a se formar: conservadores, progressistas, radicais... os democratas-cristãos e os ecológicos, claro, não poderiam faltar. Houve até rumores de um possível golpe de Estado movido pelos anarquistas, mas, como eles não se organizaram, tudo tomou seu curso normal.
As notícias voam - que o digam as Caturritas -, e logo os animais das fazendas da região ficaram sabendo da corrida eleitoral. O Asno, que não era nenhum burro, viu nisso uma ótima oportunidade de fazer seu pé-de-meia: pegou a família e partiu para a floresta grande. Ofereceria seus serviços de transporte de campanha.
Multipartidarismo à parte, dois eram os principais candidatos: a Raposa e a Cobra. Por motivos naturais, eram os que mais entendiam de política. Os Coelhos, que eventualmente passavam pelo lugar, em poucos dias, transformaram-se no eleitorado mais numeroso. Mas, como é sabido, Raposas, Cobras e Coelhos não têm uma história muito amigável. Bom para as Corujas, que, há tempo, já eram referência na área de marketing político.
A Preguiça, por motivos nunca compreendidos, também resolveu lançar sua candidatura. Como uma espécie de terceira via, sua chapa seria: "Tranqüilidade para a Floresta". Apostava no slogan: "Não ao Capitalismo Selvagem". No entanto, sua vitória era improvável. Só venceria se desse uma grande zebra, pois sua campanha andava muito devagar.
Em poucos dias, placas eleitorais já tomavam conta de 90% das árvores da selva, e até alguns outdoors surgiram, da mesma forma que os trabalhos temporários - principalmente para os Macacos-Pregos. Porém, os animais, de uma forma geral, estavam descontentes: desde que começara a campanha, os serviços básicos pareciam ter sido esquecidos.
Mas o descontentamento durou pouco: o trabalho das Corujas era realmente muito bom. Por um conselho delas, a Raposa começou a construção de uma grande estrada que ligaria os extremos da floresta. Seria a civilização chegando ao lugar? Ponto para ela (a Raposa).
Por outro lado, a Cobra aparecia de hora em hora comendo folhas e frutas em rede nacional, ou melhor, rede florestal. Certamente, diziam os linguarudos dos Tamanduás, era uma jogada para atrair os votos dos Coelhos indecisos. Claro que estes caíram feito patinhos.
Mas a verdade é que a floresta estava dividida e, nos bares, os Gambás brigavam a todo momento. Foi quando uma comitiva da Raposa entrou em contato com o pessoal de campanha da Cobra.
Reunião a portas fechadas.
Naquela noite, a Cobra retirou a sua candidatura. A Preguiça, muito influenciável, achou que era uma boa idéia e fez o mesmo. As urnas, obviamente, escolheram a Raposa como a grande vencedora. O Leão, já cansado de tudo, nem passou a coroa para a sua sucessora e viajou para a França. Dizem à boca pequena que virou doutor e que está dando aulas em uma famosa universidade de lá.
Hoje, meses após a eleição, sabe-se o motivo daquela reunião entre as equipes da Cobra e da Raposa: foi feito um "acordão". Com a Raposa no trono, a Cobra recebeu a mais importante pasta ministerial: a Casa Florestal. Também se falou na possibilidade de garantia da vitória da Cobra nas próximas eleições.
Mas é possível que as coisas não sejam bem assim, pois, nas últimas semanas, a Raposa não pára de falar em reeleição...
Após muito refletir, decidiu-se enfim: criou o ano eleitoral na floresta. A idéia de eleição provavelmente foi fruto da leitura de livros franceses que existiam na Biblioteca Central da selva. Bom, fato é que, em princípio, a notícia caiu como napalm na selva. Houve uma confusão inicial - certamente, causada pelos boatos espalhados pelas Caturritas, que diziam que era tudo um teste de fidelidade para a Corte.
Mas não tardou muito, e os partidos começaram a se formar: conservadores, progressistas, radicais... os democratas-cristãos e os ecológicos, claro, não poderiam faltar. Houve até rumores de um possível golpe de Estado movido pelos anarquistas, mas, como eles não se organizaram, tudo tomou seu curso normal.
As notícias voam - que o digam as Caturritas -, e logo os animais das fazendas da região ficaram sabendo da corrida eleitoral. O Asno, que não era nenhum burro, viu nisso uma ótima oportunidade de fazer seu pé-de-meia: pegou a família e partiu para a floresta grande. Ofereceria seus serviços de transporte de campanha.
Multipartidarismo à parte, dois eram os principais candidatos: a Raposa e a Cobra. Por motivos naturais, eram os que mais entendiam de política. Os Coelhos, que eventualmente passavam pelo lugar, em poucos dias, transformaram-se no eleitorado mais numeroso. Mas, como é sabido, Raposas, Cobras e Coelhos não têm uma história muito amigável. Bom para as Corujas, que, há tempo, já eram referência na área de marketing político.
A Preguiça, por motivos nunca compreendidos, também resolveu lançar sua candidatura. Como uma espécie de terceira via, sua chapa seria: "Tranqüilidade para a Floresta". Apostava no slogan: "Não ao Capitalismo Selvagem". No entanto, sua vitória era improvável. Só venceria se desse uma grande zebra, pois sua campanha andava muito devagar.
Em poucos dias, placas eleitorais já tomavam conta de 90% das árvores da selva, e até alguns outdoors surgiram, da mesma forma que os trabalhos temporários - principalmente para os Macacos-Pregos. Porém, os animais, de uma forma geral, estavam descontentes: desde que começara a campanha, os serviços básicos pareciam ter sido esquecidos.
Mas o descontentamento durou pouco: o trabalho das Corujas era realmente muito bom. Por um conselho delas, a Raposa começou a construção de uma grande estrada que ligaria os extremos da floresta. Seria a civilização chegando ao lugar? Ponto para ela (a Raposa).
Por outro lado, a Cobra aparecia de hora em hora comendo folhas e frutas em rede nacional, ou melhor, rede florestal. Certamente, diziam os linguarudos dos Tamanduás, era uma jogada para atrair os votos dos Coelhos indecisos. Claro que estes caíram feito patinhos.
Mas a verdade é que a floresta estava dividida e, nos bares, os Gambás brigavam a todo momento. Foi quando uma comitiva da Raposa entrou em contato com o pessoal de campanha da Cobra.
Reunião a portas fechadas.
Naquela noite, a Cobra retirou a sua candidatura. A Preguiça, muito influenciável, achou que era uma boa idéia e fez o mesmo. As urnas, obviamente, escolheram a Raposa como a grande vencedora. O Leão, já cansado de tudo, nem passou a coroa para a sua sucessora e viajou para a França. Dizem à boca pequena que virou doutor e que está dando aulas em uma famosa universidade de lá.
Hoje, meses após a eleição, sabe-se o motivo daquela reunião entre as equipes da Cobra e da Raposa: foi feito um "acordão". Com a Raposa no trono, a Cobra recebeu a mais importante pasta ministerial: a Casa Florestal. Também se falou na possibilidade de garantia da vitória da Cobra nas próximas eleições.
Mas é possível que as coisas não sejam bem assim, pois, nas últimas semanas, a Raposa não pára de falar em reeleição...
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