quinta-feira, 21 de maio de 2009

Léxico I

Reunião de condomínio: encontro de moradores de um mesmo prédio no qual homofobia vira reclamação de cheiro de gato.

sábado, 16 de maio de 2009

Eis que...

No terceiro encontro, a bolsa estourou...

domingo, 22 de março de 2009


- Não sente saudade daqui?



[não soube como responder]


domingo, 30 de novembro de 2008



Semana cheia e cansativa. Tudo o que queria era ver, pela quadragésima terceira vez, "Morrendo e Aprendendo".

Foi à locadora de sempre e, como sempre, ficou olhando inúmeros filmes, mas sempre com a certeza da escolha já feita. Depois de alguns minutos, decidiu pegar o filme previamente escolhido. Não achou.

Foi ao balcão.

- Por favor, onde está o "Morrendo e Aprendendo"?

Após uma rápida consulta ao computador, o atendente respondeu:

- Hum… locado.

Não pôde esconder a surpresa. Já havia pego "Morrendo e Aprendendo" cinqüenta e sete vezes naquela mesma locadora. Ninguém, além dele, jamais havia locado este filme. Aliás, quem se interessaria por esse filme? As pessoas mal o conheciam!

Atônito, foi até a seção de filmes europeus. Sem pensar efetivamente nos filmes, olhava-os, um após o outro. Em alguns minutos, chegou à conclusão:

- Alma gêmea! Se ela existe, essa é a sua definição: a pessoa que pega o mesmo e improvável filme que tu pegarias, pela sexagésima nona vez, em uma noite de sexta!

De repente, olhou em direção à seção de romances e pensou que deveria descobrir quem era a pessoa que locou o filme. A todo custo. Sua vida dependia disso!

Deslizando através das prateleiras, foi à seção policial e, de lá, ficou a tramar o plano perfeito para descobrir o nome e, se possível, o endereço da sua provável cara-metade - aquela com quem assistiria filmes para o resto de suas vidas. Cogitou inventar pretextos que iam desde a necessidade de ver o filme por questões de trabalho até imperativos religiosos. Obviamente, todos pretextos furados.

Em uma manobra ousada, para tomar coragem, dirigiu-se à seção dos filmes de guerra. Olhou para os lados. Intrépido, investiu contra o balcão. Pura e simplesmente, falou:

- Preciso saber quem locou "Morrendo e Aprendendo". É possível?

- Claro. Respondeu o atendente.

Fora muito fácil. Devia estar enganado. Não é assim que nossa alma gêmea chega até nós. Agradeceu, virou as costas e saiu da locadora. Foi ao cinema. Ainda tinha tempo para pegar a sessão das 20h.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quando Olívio chorou



“O ex-prefeito da Capital chegou às lágrimas e disse que a esquerda precisa

construir melhor no primeiro e no segundo turnos sua articulação.

‘Precisamos nos preparar para daqui a dois anos (…) com uma

candidatura do nosso campo, para enfrentar a centro-direita’”.

Correio do Povo, 27.10.08, p. 3.


Ontem, as urnas portoalegrenses confirmaram a tendência das pesquisas e do resultado do primeiro turno. A derrota petista, por mais de 17% dos votos, confirma o “baque” de quatro anos atrás e mostra alguns elementos/dilemas que, creio, se atravessam na caminhada do Partido.

Pensando do ponto de vista institucional, alguns fatores pesaram para o resultado. Em primeiro lugar, o progressivo isolamento petista que vem se desenhando nos últimos pleitos aqui no estado. Acredito que este isolamento seja fruto tanto da própria dinâmica do Partido no Rio Grande do Sul, relativamente inflexível a parcerias, quanto à falta de flexibilidade dos possíveis aliados. No entanto, neste ano, houve também a excessiva flexibilidade do PT nacional: o arranjo de alianças que sustenta o Governo Lula engessou o PT nas diversas realidades regionais, e creio que a entrada tímida de Lula na campanha de Rosário aos 45 minutos do segundo tempo em Porto Alegre seja um exemplo claro aos nossos olhos, pois o objetivo do presidente era não desagradar o aliado PMDB-nacional.

Outro ponto é a já tradicional fragmentação das esquerdas, não à toa tratadas geralmente no plural. A tática de “cada um no seu quadrado” foi visível nesta eleição. Resultado: o que é considerado por muitos sinal de fortaleza ideológica mais uma vez abre as portas ao fortalecimento conservador.

Mas creio que outro fator seja importante: a forte coalizão montada pela candidatura Fogaça. A troca para o PMDB ainda durante a administração atual se mostrou correta do ponto de vista do cálculo político. Fogaça disputou o pleito do alto de uma forte máquina partidária, ao mesmo tempo em que contava com a permanência na Prefeitura.

Além disso, dois apoios foram de extrema importância para o candidato peemdebista: o PTB e o PDT. Ambos proporcionaram o reforço de estruturas partidárias fortes, levando a candidatura Fogaça para as periferias da cidade. Fogaça ganhou uma "cara mais popular" sem perder o bom e velho voto antipetista de grupos das chamadas classes média-alta e alta, e mesmo o antipetismo mais ou menos generalizado em Porto Alegre (embora este me pareça cada vez menos sinônimo de posição ideológica consciente). Ao apoio do PDT, soma-se um fator importante: a mística do Brizola, cuja força ficou clara na eleição de sua desconhecida neta com uma considerável votação.

Voltando ao PT, creio que esta segunda derrota consecutiva em uma cidade que foi (e é) fortemente simbólica na história da estrela vermelha demonstra um dilema para o Partido. O pessoal da ciência política costuma dizer que um partido permanece por muito tempo ligado (e, portanto, influenciado) pelas condições de sua origem. Pensando em termos de evolução histórica, concordo com isso.

Assim, creio que o grande desafio do Partido dos Trabalhadores seja optar entre um desenvolvimento que absorva e trabalhe as mudanças, mantendo sua história à esquerda ou um caminho no qual o pragmatismo e o clientelismo sejam definitivamente institucionalizados. Embora essas duas “vias” estejam presentes no Partido há tempos (e, agora, não saberia dizer desde quando), ainda há – creio eu – tempo de tomar uma decisão e acertar os rumos. Desafio do PT para a próxima eleição e para além.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E agora, PT?

..."look at all the lonely people"...


Voltando do Campus do Mato nesta noite, me deparei com um comício petista. Fui tomado por uma onda de nostalgia e entrei na maré vermelha. Lá dentro, vi que a maré não era tão densa, e nem o vermelho, tão vivo.
Não ia a comícios do PT desde 2002. Nesses seis anos, mudamos muito. Mudou o PT. Mudei eu.
Das minhas mudanças, muitas são (para mim obviamente) motivos de orgulho. Das mudanças do meu ex-Partido, não posso dizer o mesmo.
Sempre costumei dizer que não era petista, mas sim que "estava petista". No entanto, a verdade é que por muito tempo considerei a estrela vermelha uma razão de esperança (não a única, claro).

Não nego a importância do Partido. Acredito que a construção de uma história de duas décadas não se desfaz em seis anos. Ainda vejo gente boa ligada ao PT. E vejo também os "braços" do Partido em alguns movimentos sociais. Afinal, um partido é sempre maior que sua sigla.
Porém, o que me dói é ver essas mesmas pessoas e "braços" cada vez mais engessados em sua subordinação a uma cúpula partidária cada vez mais distante do ideal de transformação que impulsionou sua própria formação no passado.
Certamente as minhas mudanças nos últimos anos contribuíram para esse sentimento estranho de hoje, quando me deparei com uma maré rasa e um vermelho meio desbotado. Contudo, não creio que os partidos sejam todos iguais, nem penso que a luta por transformações pela via da política institucional deva ser abandonada. Entre pragmatismos necessários e limites asfixiantes, ela deve ser mantida.
Mas é um tanto doloroso ver pessoas boas ligadas ao PT se debatendo com esse paradoxo.

O Partido dos Trabalhadores perdeu terreno na minha cidade. E não sei se conseguirá reconquistá-lo sem se descaracterizar ainda mais, pois a minha Porto Alegre não parece ser nem sombra da Porto Alegre mais politizada das décadas passadas.

Não fiquei dez minutos no comício. Saí com um aperto na garganta e um mal-estar difícil de explicar.

terça-feira, 11 de março de 2008

A queda do Império Romano

Sala de aula. 6ª série.
Após demonstrar - rápida e bisonhamente -, em um desenho, a fragmentação do Império Romano em decorrência das invasões bárbaras, o professor interrompe a explicação para atender a um aluno que levanta a mão para questionar a figura:

A - "Professor!"
P - "Sim."
A - "Isso é vasectomia?"
P - "Hum... não, não... vasectomia é outra coisa, vocês vão ver..."


sábado, 8 de março de 2008

Cidades Invisíveis

O senhor tem saudades de Itabira ainda hoje?
Tenho uma profunda saudade e digo mesmo:
no fundo, continuo morando em Itabira, através de minhas raízes
e, sobretudo, através dos meus pais e dos meus irmãos,
todos nascidos lá e todas já falecidos.


Estava lendo um livro "meio-reportagem-meio-biografia" do Drummond (ou sobre o Drummond?). Nele, encontrei uma entrevista feita com o poeta pelo jornalista Geneton Moraes Neto poucos dias antes da morte do poeta. É realmente uma entrevista interessante. Na verdade, infinitamente mais interessante pelo entrevistado do que pelas perguntas do entrevistador... mas, enfim...

Eu, que já gostava do mineiro, estou cada vez mais encantado...

Lá pelas tantas, dei de cara com a pergunta e a resposta que copiei acima. A sensibilidade com que Drummond explicou sua relação com Itabira me remeteu à minha relação com Dom Pedrito... sempre que releio o post sobre minha última viagem à "cidadezinha", escrito há mais de dois anos, quase sinto o mesmo que senti na época...

Com a resposta do Drummond e a minha relação com Dom Pedrito, me dei conta de que podemos ter várias
"cidadanias", assim como temos várias identidades... sou porto-alegrense [de onde - espero - não arredo o pé], mas também "sou" de Dom Pedrito... sou pedritense através do meu avô, através de algumas de minhas raízes...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

"Um Pequeno Poema"

"Assustado,
tinha guardado na mala
um poema
e um conhaque
para a noite em que a felicidade
viesse para ficar ."

Antônio Navarro

Poema tirado de um ônibus em Porto Alegre
em uma noite de 2003...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pessimistas de todo o mundo, uni-vos!

... mas já aviso: não vai dar certo...